Um saudável ceticismo.

Um saudável ceticismo - Parte 02

"Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; que é o homem mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?" Sal 8:3 e 4

Pois bem, quase meia noite e uma vontade muito grande de escrever se manifesta em mim. Estive orando há pouco, estudando a Bíblia e lendo um pouco mais sobre as evidências da ressurreição de Cristo, tema que mais adiante gostaria de aprofundar com você.

Mas hoje, a idéia é passar por algumas questões relativas à criação do universo. Sim exatamente... A Criação dos céus, da terra e de tudo o que neles há! Mesmo para alguns cristãos, a criação é um assunto indigesto em função de um sem fim de argumentos científicos ou filosóficos. Muitos tentam adaptar o que está na Bíblia às explicações humanas para enfim, colocarem-se em suas próprias zonas de conforto. Outros preferem acreditar na Bíblia num pleno exercício de fé, o que acho absolutamente correto. Afinal, a fé na palavra de Deus é a manifestação direta da fé no próprio Deus. Mas para aqueles que "sofrem" do mesmo "saudável ceticismo" que eu sofro, aqui vão alguns pontos para nosso raciocínio.

Antes de continuar, porém, tenho que fazer uma declaração. Sou 100% criacionista! Acredito sim, do fundo do meu coração e da minha mente que o Senhor nosso Deus criou o universo e todo o que ele contém; nós incluídos. Como Ele fez isso deverá ser um mistério a ser revelado na sua totalidade apenas nas longas conversas que teremos com Deus no futuro, quando estivermos pessoalmente com Ele. No entanto, se "os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos" (Sal 19:1), devem existir evidências nos céus e no firmamento do poder criador desse nosso Deus. É essa crença que me deixa seguro ao dividir com vocês alguns pontos que li no livro de Fred Heeren "Mostre-me Deus".

Faço questão de colocar claramente a crença acima porque meu objetivo aqui não é tentar convencê-lo de nada, mas apenas dividir aprendizados de um leigo nos assuntos cósmicos. Você pode até discordar de tudo o que vai ler, no entanto, permita-me citar o prefácio de George F. Smoot, Nobel de Física de 2006: "Fiéis da Bíblia podem ficar seguros de que a observação do mundo é consistente com a palavra de Deus. Na realidade, Mostre-me Deus argumenta que a ampliação do conhecimento irá somente aumentar o senso de maravilha e trazer mais segurança para a fé das pessoas".

Antes, porém de listar uma série de argumentos (que eu sugiro que você aprofunde na leitura de "Mostre-me Deus") quero destacar certa decepção que tive há uns 20 anos atrás quando li o livro "E a Bíblia tinha razão" de Werner Keller.

O título havia me chamado a atenção. Que delícia! Um livro que confirmava a Bíblia!

A euforia, no entanto, foi dando lugar á uma crescente decepção. Dentre várias colocações interessantíssimas e que realmente corroboravam certos textos bíblicos, Keller tendia a atribuir simplesmente às leis naturais alguns dos mais incríveis milagres Bíblicos. Por exemplo, a travessia do mar vermelho pelo povo de Israel na fuga do Egito. Werner questiona desde o caminho feito pelo povo, até a tradução de "Mar Vermelho" que ele diz ser na verdade "Mar dos Juncos". O Mar dos Juncos seria mais ao norte e seria mais raso do que o Mar Vermelho, facilitando assim a travessia. Outra possibilidade é que o povo teria feito a travessia perto de Suez: "Com efeito, também ali poderia ter acontecido a passagem. De vez em quando ocorrem na extremidade norte do golfo de Suez ventos fortes de nordeste, que impelem a água com grande força a ponto de fazê-la recuar, permitindo a passagem a pé nesse lugar." Opa, só um momento. Quer dizer que a abertura do mar vermelho não foi um milagre? Foi só um vento que segurou as águas num ponto específico do mar? Mas esse vento que "de vez em quando" sopra resolveu soprar justo no momento em que dois milhões de pessoas estavam encurraladas entre o mar e o exército inteiro de Faraó? E, além disso, o vento conseguiu represar as águas por tempo suficiente a fim de que os dois milhões de pessoas passassem a salvo e, logo em seguida, aleatoriamente, parou de soprar bem na hora em que o exército egípcio estava no meio da mesma travessia? E se o local era raso, de modo a ter o volume de água represado por um simples vento, teriam os soldados, cavalos e o próprio rei morrido afogados numa poça d'água? Bem, não sei quanto a vocês, mas para mim ficou estranho. O que quero tirar destes parênteses é que Deus, o Criador do Universo e de todas as leis que o regem, pode fazer uso das suas próprias leis ditas "naturais" para realizar Seus propósitos ou, se for da sua vontade, quebrar as suas próprias leis, criando novas. Ora, Ele é Deus não é? Com a criação do universo também é assim. Podemos entender as questões do cosmo até onde nosso acesso às leis naturais alcança. Daí para frente é com Deus.

É com esta visão da onisciência, onipotência e onipresença de Deus que coloco alguns pontos abaixo para você levar em consideração na sua jornada criacionista.

Outros sistemas solares semelhantes ao nosso que poderiam ter vida.

Embora eu acredite que Deus criou outros mundos que não caíram em pecado como o nosso, parece que eles estão bem distantes de nós. Heeren afirma: "A observação indireta de planetas extrassolares por meio do efeito Doppler resultou na destruição da visão de que nosso sistema solar é típico". Ou seja, um sistema solar como o nosso não é fácil de encontrar por aí. Para você ter uma idéia, se Júpiter não estivesse exatamente onde está a terra seria atingida de 100 a 10.000 vezes por mais cometas do que é hoje em dia... O que significaria que nós não estaríamos mais aqui. Pois é, Júpiter é um "aspirador" de cometas estratégicamente colocado para defender a Terra! Tem mais; dentre os 12 "afunilamentos" para a possibilidade de haver vida num planeta como a Terra, cito alguns de Heeren:

- para ser habitável, um planeta deve não somente manter uma órbita circular dentro da "Goldilocks Zone", mas também ser uma órbita de tamanho exato dentro dessa região.

- de acordo com simulações computadorizadas de Michael Hart, ex astrônomo da NASA, "se a órbita da terra fosse apenas 5% menor do que realmente é, durante as fases iniciais da história da Terra teria havido um efeito estufa descontrolado e as temperaturas subiriam a ponto de os oceanos evaporarem completamente!". Por outro lado, ele descobriu que "se a distância entre o sol e a Terra fosse somente 1% maior, teria havido um efeito de glaciação descontrolado na Terra..."

- "Um planeta habitável deve ser grande o suficiente para manter uma atmosfera e pequeno o bastante para que sua gravidade não esmague tudo na superfície". Ou seja, tem que ser exatamente igual à Terra.

- Esse planeta tem que ter uma lua enorme como a nossa (proporcionalmente ao tamanho da Terra, a nossa é "descomunal"). É a Lua que permite um efeito "âncora" que estabiliza a Terra na sua órbita. Caso contrário, seriamos excessivamente atraídos por Júpiter e, adivinhe: buuuummm!

- Um planeta habitável tem que ser, obviamente, habitado. Só que "a inteligência humana é inexplicável em termos darwinianos. Esse tipo de inteligência avançada (superior á de cães, golfinhos e macacos) parece, para os biólogos, um caso de capacidade extrema muito além do necessário. Como explicamos a capacidade da nossa espécie de escrever grandes literaturas, compor sinfonias, criar belas artes, executar experimentos científicos e solucionar cálculos matemáticos abstratos e avançados? Não precisamos dessas coisas para sobreviver."

Criado por alguém, ou auto criado?

Bom, quando se fala na formação do universo, superstição mesmo é crer que ele tem poderes próprios capazes de trazê-lo à existência ou a se auto-ajustar. "As descobertas do ajuste preciso das constantes da natureza apontam não apenas para um designer que deu forma a um universo já existente, mas a um Criador que criou as leis do universo antes que houvesse um universo". Segundo Stephen Hawking os valores fundamentais da natureza "parecem ter sido precisamente ajustados para tornar o desenvolvimento da vida possível", e Deus parece ter "escolhido muito cuidadosamente" a configuração inicial do universo. Ora, "escolha cuidadosa", "ajuste preciso" não me parecem ser expressões do acaso, mas sim de vontade. Uma vontade infinitamente poderosa e soberana. A ciência moderna não tem leis para mostrar como algo poderia ter vindo do nada; ela não tem nem mesmo uma teoria para propor tal evento.

O astrônomo mundialmente respeitado (e agnóstico declarado) Robert Jastrow escreve:

"Considere a grandiosidade do problema. A ciência provou que o universo surgiu de uma explosão em determinado momento. Pergunta-se: Que causa produziu este efeito? Quem ou o que colocou a matéria e a energia dentro do universo?... E a ciência não pode responder essas perguntas, porque, de acordo com os astrônomos, em seus primeiros momentos de existência, o universo foi comprimido a um grau extraordinário e consumido pelo calor de um fogo além da imaginação humana". Barry Parker completa: "Nós com certeza temos uma alternativa. Poderíamos dizer que não houve uma criação e que o universo sempre existiu. Mas isso é ainda mais difícil de se aceitar do que a Criação".

Como você já percebeu, esse assunto é fascinante e vasto, podendo ser discutido por horas a fio. "Mostre-me Deus" aborda ainda várias questões, levando o leitor a uma conclusão definitiva: Deus criou a Terra, os céus e tudo o que neles há.

E ainda mais fascinante do que isso, é que esse mesmo Deus, que comprime todo o universo na palma da Sua mão, conhece a você e a mim como ninguém mais. E esse mesmo Deus que comanda as órbitas e as densidades dos planetas, resolveu morrer por mim e por você para que nós pudéssemos estar para sempre com Ele num futuro próximo.

Que mistura fascinante de amor e poder, de misericórdia e grandeza, de humildade e entrega desse Ser que tudo fez por nós e para nós.

É esse amor pleno, completo que será tema dos nossos próximos textos.

Afinal, se Deus é amor, podemos inferir que o amor é uma pessoa. E é a essa pessoa que devemos toda a honra, a glória e a gratidão dos nossos corações. O amor em pessoa: Jesus Cristo!

Até nosso próximo encontro.

Alex Isnenghi